Sábado, Dezembro 30, 2006
Inventário
Era sempre assim em dezembro. Revia o ano num meticuloso inventário. Cada fato. Cada dúvida. Cada riso. Cada dor. Toda lembrança. E então era a vez dele. Releu cartas e poemas. Lembrou com calma cada toque cada beijo cada gozo. Pesou cada medo cada silêncio a imensa ausência. Viu que era precioso e raro. Com ternura envolveu tudo na mais fina seda perfumada a lavanda. Guardou na arca pequenina dos tesouros mais secretos. E seguiu adiante a reinventar a vida.
Márcia Maia
Feliz cada dia do ano, meus amigos. E um beijo grande daqui.
MM, 17:24#
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Sexta-feira, Dezembro 22, 2006
don denney©
Uma noite feliz
Sentada à mesa da cozinha, ela pensava. Precisava preparar o peru para a ceia. Estariam todos à sua espera ( e a dele, o peru ), logo mais. Mas havia o cansaço. E uma imensa vontade de ficar. Abriu a garrafa de espumante italiano, há meses na geladeira. Bebeu devagar. Tomou um banho. E adormeceu na rede da varanda. Só e feliz. Na noite de natal.
Márcia Maia
Para todos vocês, meus amigos queridos, estejam onde estiverem, o melhor dos natais. E meu beijo.
MM, 23:28#
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Segunda-feira, Dezembro 11, 2006
27.09.2004
Do verbo amar
Sabe, minha filha, eu engano tanto Deus, disse mamãe. Eu ri. Engana como? perguntei. Assim: quando seu pai morreu e vocês seis eram tão pequenininhos, eu pedia a Ele que me deixasse viver pra ver vocês adultos, cada um formado ou na faculdade, donos das suas vidas, porque então eu poderia morrer tranqüila. Mas, aí, você casou e teve Felipe. E eu pedi a Ele pra me deixar ver Felipe crescer. Sem falar nos outros netos. Quando Felipe fez vestibular pra medicina, pedi pra Ele me deixar ver Felipe médico como o avô. E agora que Letícia nasceu, perguntei eu, que já não sabia se ria ou chorava, vai pedir mais um tempinho? Não, ela disse. Agora, não mais, que já estou velha. Mas tenho pedido, todo dia, pra Ele cuidar de você e lhe deixar viver até, pelo menos, você ser bisavó.
Márcia Maia
para mamãe, com todo o meu imenso amor.
MM, 04:53#
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Sábado, Dezembro 02, 2006
O ninho vazio
E súbito, a casa ficou vazia. E enorme. Talvez não propriamente enorme mas mal habitada. Inadequada. Como um bosque onde crescessem coqueiros em vez de carvalhos, mognos, ipês, jacarandás. Profusão de camas vazias. Trepadeiras de silêncio que se ora emudecem-me, em breve, muito em breve, hão de florir-me.
Márcia Maia
A Minguante nº3 está no ar. Confiram.
MM, 10:04#
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