Quinta-feira, Julho 26, 2007
Dançarino
Fechou a porta. Ligou o som. A música atingiu-o em cheio. Começou a dançar quase sem sentir. Descalço, braços abertos, olhos fechados. Via o mar. E dançava enlouquecido, como Zorba, à beira-mar de um filme antigo. Finda a música, deitou-se, exausto, sobre o carpete. O ruído do ventilador de teto, junto com a voz no interfone, o trouxe de volta à realidade. Lavou o rosto, penteou os cabelos, calçou meias e sapatos. E voltou à enfermaria onde, minutos antes, perdera seu pequeno paciente. A tempo de consolar a família. Sem sequer ter-se ainda consolado.
Márcia Maia
MM, 20:23#
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Domingo, Julho 15, 2007
Do amor
"Eu tenho um neto, um pouquinho maior que você, que é muito bonito e muito sabido. Vou apresentar ele a você, pra vocês namorarem. O nome dele é Felipe", disse a bisavó, imersa no túnel do tempo próprio do Alzheimer. "Mas Felipe é meu papai!" respondeu a menininha. E riram as duas, abraçadas e felizes, enquanto eu me emocionava às lágrimas, oculta no corredor.
Márcia Maia
MM, 09:40#
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