mudança de ventos
de prosa, arte e vida


Sexta-feira, Novembro 23, 2007


Para Eduardo, meu amigo tão querido, por mim e, certamente, por Ela, com carinho:



mario bitt-monteiro


Ternura


Na praça deserta, eles andavam em círculos. Passavam pelos bancos, pelo parquinho transformado em lago pela chuva da madrugada, por trás da igrejinha branca de portas cerradas, pelo jambeiro e recomeçavam. Em silêncio. Cada um no seu ritmo. Quando recomeçou a chover, o menino tirou a jaqueta laranja e verde fluorescente que vestia, e colocou sobre a cabeça do velho. Que riu. E seguiram a caminhada rumo aos dez quilômetros de sempre. Em silêncio. Sob a chuva.





Saudade


O menino viajou de férias para Miami. Comprou duas camisas do Lakers, iguais. De volta, tornou à praça onde corriam, de manhã, ele e o Velho. Soube que partira. Desde então, troca sempre a camisa na metade exata da corrida. Por outra igual. Vez em quando, chora. Ninguém lhe entende o motivo. Exceto o Velho, sentado invisível no banco em frente à igreja. Que sorri a cada troca de camisa. E chora junto, a cada lágrima do menino.



Márcia Maia


Um beijo grande, meu amigo. Meu e das nossas Princesas.


MM, 10:59#

Ou aqui:


meus livros
falar comigo?
para ler
os meus
de cá
de lá
de qualquer lugar
baú
diga não à violência: